[Crônica #2] Meu vestido de noiva perfeito

o vestido perfeito

O vestido perfeito.

Depois da história do buquê da semana passada, esse domingo, a Estela conta para vocês a história do vestido! :)

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Quando conheci o Rafael logo percebi que ele era um cara que gostava de coisas antigas. Na perna, tatuadas chamas que eram usadas na pintura de carros dos anos 50. Hot road, dizia ele. Com o tempo fui aprendendo um pouco mais sobre a cultura vintage, entre músicas e carros. O mais curioso é que eu sempre me vesti com roupas da moda dos anos 50. Cintura fina alta, saias, lenços e sapatos boneca. Acho que pode ter sido isso que fez com que ele insistisse tanto, né? Até que enfim ele havia encontrado a menina retrô que tanto esperava.

Essa coisa de ser retrô tornou nosso casamento em um desafio: não queríamos nada convencional e ao mesmo tempo nada espalhafatoso. Em todas as nossas pesquisas apareciam elementos dos anos 50, como carros, cores da época, sapatos e até mesmo vestidos.

Tudo o que fazíamos para o casamento era decidido entre nós dois, fomos um casal de noivos que construiu muito junto. Mas o vestido… Bem, eu não sou supersticiosa e achava que o Rafa também não era. Até começar essa história da casar! Comecei a separar referências do vestido e de repente ele me disse: “Eu não quero ver o vestido, só quero ver na hora”. PÂNICO! Eu não poderia contar com a opinião dele, estava sozinha nessa!

A saída mais fácil para um vestido seria alugar ou comprar algo já pronto. Essa seria a saída mais fácil, mas não a mais legal. Bingo! Criamos mais um desafio: achar uma costureira que conseguisse fazer algo meio anos 50, na altura dos joelhos. Um vestido que parecesse saído de um túnel do tempo.

Minha mãe sempre costurou, mas não é costureira profissional. Ela sempre quebrou meu galho fazendo minhas saias, mas um vestido de casamento é um level acima do que ela esta acostumada. Pedi ajuda a amigas, contatos de costureiras, procurei em sites americanos. Nada. Até que um dia…

Eu e a Nilce (sim, ela de novo!) estávamos conversando sobre o casamento e o terno do Rafael. Já havíamos decidido que o terno dele seria cinza e que ele e o pai sairiam juntos para comprar. Um típico dia de pai e filho. Mas e eu? “Você precisa decidir seu vestido, minha filha…”, sim, eu sabia, mas o que fazer? Com o orçamento reduzido eu não poderia arcar com um vestido caro.

A Nilce sempre contava sobre o dia do seu casamento, sobre como haviam feito tudo DIY em uma época em que não havia nada de diferente no mercado de casamento. O vestido tinha sido feito pela sua mãe, a avó do Rafa, caseado a mão pela tia. Era uma história linda, que sempre me encantou. Nesse dia ela me contou mais uma vez a história e ressaltou o quanto o resultado a agradou, como foi tudo lindo. Eu sorri, ela respirou fundo e perguntou: “Você quer que eu faça o seu vestido?” Bom, como vocês devem imaginar, eu quase caí pra trás, dentro de mim uma avalanche de sensações e eu só consegui responder um singelo: “Mas não vai te dar muito trabalho?”. Claro que não daria! Nada é trabalhoso pra Nilce 1001 utilidades!

uma banana pra quem nao acreditou na gente nilce

Uma banana pra quem não acredita na gente, Nilce!

Depois disso passaram-se dias de medidas, conversas, idas ao Saara até encontrar o tecido perfeito. Fotos na internet, conversas, adaptações. O vestido foi se construindo aos poucos entre nós duas a partir de uma única referência que eu tinha. A Nilce fez o vestido para deixar a noiva de seu filho linda. O cuidado era não só para me deixar satisfeita, mas também para fazer o Rafa suspirar no altar. A cada nova prova, uma surpresa. Meu vestido pérola, cintura fina, longuete, e seu casaquinho estavam tomando forma. Na reta final a última prova foi emocionante: eu, minha mãe, minhas irmãs e a Nilce; vestido, anágua, casaco e sapato. Sim, eu era uma noiva dentro de um vestido feito pra mim.

Contar com a Nilce foi imprescindível, mais uma vez. Por causa dela a dupla vestido e buquê arrancou suspiros de todos.

O vestido foi a prova de que você pode contar com a ajuda de várias pessoas ao longo do processo da sua festa. Abram as portas dos seus corações, noivas! Tem muita gente com vontade de ajudar e que muitas vezes nem sabemos. Há solução pra tudo, basta procurar.

Ah, minha tristeza agora é ter um vestido DI-VI-NO trancado no armário. E aí, meninas, dicas do que vocês fizeram com os seus vestidos? Fico com uma peninha de vender!! :(

Semana que vem conto mais um pouquinho de história pra vocês.

 

minha paixao o casaco

Minha paixão: o casaco.

a cara de boco do noivo quando me viu

Acara de bocó do noivo quando me viu.

 

e tudo meu

É tudo meu!

o noivo empolgado com o vestido

O noivo empolgado com o vestido.